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Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Jaén (UJA) e da Universidade de Granada (UGR), com a colaboração da empresa Notaliv Cosmética Natural e das enfermeiras responsáveis pelas consultas de ostomia do Hospital Virgen de las Nieves e do Hospital San Cecilio University, demonstrou a eficácia do uso de géis feitos com azeite virgem extra para tratar a pele periestomal em pacientes com ostomia digestiva.
“Geralmente recomendava-se não usar produtos gordurosos para tratar a pele periestomal, pois pensava-se que poderia complicar a adesão do disco, por isso o azeite virgem extra foi descartado, embora tenhamos conhecido pacientes que, apesar dessas recomendações, usaram cosméticos à base de azeite e não apresentaram complicações, isso mostra que pouco se estudou a esse respeito”, destacou César Hueso. Nesta altura, o grupo de investigadores contactou a empresa Notaliv, especializada em cosmética natural à base de azeite, que fabricou um gel de banho com azeite virgem extra orgânico para realizar o referido estudo, uma vez que os azeites orgânicos têm mais propriedades antioxidantes e benéficas para o corpo.
Com este gel, o grupo realizou um estudo piloto comparativo em 21 pacientes das clínicas de ostomia dos referidos hospitais de Granada. Onze deles usaram esse gel e nove usaram outros cosméticos que não continham azeite virgem extra para a manutenção da pele periestomal. Conforme especificado pela equipa de pesquisa, os resultados mostraram, em primeiro lugar, que este gel é um produto seguro para tratar a pele em pacientes com ostomia, pois nenhum dos pacientes relatou complicações no uso do gel em relação à adesão do disco. E, em segundo lugar, que há indícios de que os cosméticos com azeite virgem extra são mais eficazes na manutenção da integridade da pele periestomal nesses pacientes do que os produtos usuais usados para esse fim.
Este é um estudo inovador que mostra a eficácia destes géis neste tipo de pacientes e os resultados obtidos oferecem indícios de que estes produtos são mais eficazes do que os atuais para manter a pele intacta ou ligeiramente danificada nestas pessoas.
O investigador da Universidade de Jaén e um dos principais promotores deste estudo, César Hueso Montoro, explicou que os pacientes com ostomia digestiva são aqueles que passam por uma pequena abertura cirúrgica no abdômen para facilitar a saída da urina e das fezes. Esses pacientes requerem o uso de uma bolsa presa à pele para facilitar os movimentos intestinais. “A maioria desses casos ocorre em pacientes com cancro do cólon ou do reto, embora esse tipo de caso também ocorra em pacientes com doenças inflamatórias intestinais ou traumas”, acrescentou o especialista.
Esses dispositivos de evacuação geralmente possuem um disco que é preso à pele, do qual pende uma bolsa para coletar as fezes e a urina que são evacuadas pela abertura. Os investigadores sublinharam que a pele que pressiona o disco (periestoma) é uma pele muito vulnerável e subjugada, não apenas devido à adesão do próprio disco, mas também porque às vezes ocorrem vazamentos durante a evacuação. “Nas consultas de ostomia, o enfermeiro especialista no cuidado destes doentes salienta sempre a importância de cuidar e manter a integridade da pele periestomal para evitar a sua deterioração”, destacou a investigadora, que salientou “até 80% das pessoas com ostomia acabam tendo alguma complicação de pele”. Essas complicações afetam muito a qualidade de vida do paciente e representam um grande custo para o sistema de saúde.
O investigador da Universidade de Jaén detalhou que se trata de géis cosméticos, não farmacológicos, pelo que a sua eficácia se centra na manutenção da pele periestomal quando esta se encontra intacta ou ligeiramente deteriorada, o que corresponde ao perfil das pessoas incluídas no julgamento. Por sua vez, ele destacou que o grande avanço deste estudo é abrir as portas para o uso de cosméticos feitos com azeite virgem extra, que traz grandes benefícios para o cuidado da pele deste tipo de paciente. Os próximos passos dessa linha de pesquisa se concentrarão em ampliar a amostra do estudo, demonstrar esses resultados num número maior de pacientes e estudar o efeito de produtos feitos com azeite virgem extra para peles mais deterioradas. O grande desafio, portanto, é conseguir financiamento para poder dar continuidade à pesquisa.
César Hueso destacou especialmente o trabalho realizado em conjunto com Concepción Capilla Díaz, professora do Departamento de Enfermagem da UGR. Ambos são membros do grupo de pesquisa multidisciplinar CTS-436 e investigadores do Granada Biosanitary Research Institute. Ele também destacou a assessoria recebida do professor e investigador da Universidade de Jaén, Francisco Pedro García Fernández, atual coordenador da Cátedra de Estudos Avançados em Feridas da UJA, bem como a colaboração do resto da equipa de pesquisa feita das enfermeiras Josefa Martín Cebrián, Rosa Huertas Fernández, Inmaculada Sánchez Crisol e Noelia Moya Muñoz. Por último, uma menção especial foi feita aos participantes, que aceitaram voluntariamente participar neste estudo.
Os resultados desta pesquisa foram publicados na prestigiada revista científica Journal of Tissue Viability.